Você lembra de quais novelas?

Telenovela no Brasil, espelho de uma história recente

Pela primeira vez neste blog, escrevo um texto vindo da sugestão de uma leitora. As novelas na TV brasileira são um fenômeno que já teve inúmeros estudos nos mais variados pontos de análise. Desde 1963, com a primeira novela na TV Excelsior (2-5499 Ocupado, de Dulce Santucci), boa parte das pessoas pontuou suas vidas tendo novelas como referências cronológicas de suas próprias histórias de vida.

Na minha lembrança mais remota lembro de ouvir adultos falarem da novela Redenção da pioneira no estilo, a TV Excelsior. Porém, um bom tempo me traz na lembrança as novelas da TV Tupi. Um mundo refinado de alta sociedade mostrava o que seria a década de 70 com novela Beto Rockfeller. Hoje, sei que foi a primeira novela a retratar temas atuais em suas narrativas. Lembro vagamente de Irmãos Coragem (primeira versão) da TV Globo. A cor na transmissão de novelas foi oficialmente em O Bem Amado, mas no mesmo momento a TV Tupi reagiu e colocou no ar todas suas produções com um colorido tosco de improviso.

Estúpido Cupido e Dancin’ Days ilustraram os bailinhos de minha adolescência. Na década de 80 vi Guerra dos Sexos ter várias cenas gravadas no edifício em que morava com minha família. E com isso vi de perto essa produção onde Maitê Proença, Paulo Autran, Tarcísio e Glória, Herson Capri passavam pela portaria e o mais marcante uma cena de Maria Zilda pendurada em uma varanda do 6º andar em uma cena de fuga. A novela Os Adolescentes na TV Bandeirantes esbarrou em mim.

Na década de 90, Pantanal foi um marco de um sucesso isolado da extinta TV Manchete (que infelizmente não capitalizou). Em um momento meu de grande crescimento profissional, usava aquele período da noite para uma pequena pausa ou um quase “flash” de férias diárias.

Vale Tudo foi também marcante ao mostrar um lado podre, mas maquiado de nossa sociedade. Estive em Cuba em 1991 e fiquei comovido e ao mesmo tempo perplexo ao perceber cubanos tão ligados em uma realidade tão distante da que viviam. Alguns artistas brasileiros são cultuados como semi-deuses!

Nos últimos anos, deixei de lado o hábito de “seguir uma novela”, em função de minhas atividades acadêmicas acontecerem no período noturno. Neste ano, tenho apenas uma noite tomada profissionalmente. Comecei assim, a assistir Duas Caras, de Aguinaldo Silva e com direção de Wolff Maia. A surpresa é que nesse período de ressaca que para mim, novela ficou restrito a uma boa opção de veiculação publicitária, pouca coisa mudou. Obviamente, que em tempos de TV digital, o produto final apresentado é de uma qualidade de produção fantástica. Com certeza a sua aceitação comercial provoca investimentos invejáveis. Mas e as tramas? Ou os contratos entre os personagens dessa narrativa? Nada muito novo, mas com pitadas de assuntos atuais como os cartões corporativos, pirataria de DVDs, violência urbana... ou seja um recorte bem feito deste começo de século 21 no Rio de Janeiro. Alguns temas como preconceito racial foram abordados de forma contundente e por momentos cômicos. Assim, os filhos do casal Barreto (Stênio Garcia) e Gioconda (Marília Pêra) viram seus filhos brancos e de alta socidade carioca casarem com negros. Júlia (Débora Falabella) se casa (já grávida) com Evilásio (Lázaro Ramos) líder comunitário da fictícia Portelinha. Na mesma família, a empregada doméstica Sabrina (Cris Vianna) enlouquece o seduzido advogado mauricinho Barretinho (Dudu Azevedo). Antes do casamento e uma viagem para Nigéria, Sabrina protagonizou cena antológica onde um preconceito reativo contra brancos, argumenta com seu pai não querer essa mistura de raças e assim justifica um distanciamento de Barretinho que já era alvo de sua paixão. Seu pai então, responde com um discurso contundente, onde pede que a filha vá atrás do rapaz. Mas como se trata de uma novela e o gancho para os próximos capítulos é uma obrigação, Barretinho é atropelado.

O fato é que dificilmente um brasileiro fica sem um pouco de influência de uma boa novela. Por falar nisso, alguém assistiu o capítulo de ontem? Risos.....

 

Teledramaturgia no Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Teledramaturgia_no_Brasil)

A teledramaturgia surgiu no Brasil na década de 1950 e acabou por tornar-se o produto televisivo mais popular do país. A telenovela caracteriza-se por explorar enredos de fácil aceitação pelo público, como histórias de amor e conflitos familiares e sociais. É comum a associação da novela como um produto descartável, como uma oposição a literatura, ao cinema ou ao teatro, o que pode denotar um certo preconceito, visto que é um produto voltado a pessoas de todos os níveis sociais. Funciona como uma espécie de obra aberta, cujo desenvolvimento e desfecho podem ser alterados a qualquer momento, de acordo, principalmente, com os índices de audiência (Ibope), ou seja, segundo o interesse imediato do público na história.

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