Ruth Cardoso. Estou de luto!

É muito estanho, mas a notícia do falecimento da Dra. Ruth me deixou muito triste. Falo doutora, pois esse era seu título acadêmico, ou mais até do que um doutorado. Essa era Ruth Cardoso! Uma mulher impar e que não vou descrevê-la biograficamente, pois os meios de comunicação estão fazendo isso de maneira exaustiva.

 

Sempre ouvi falar dessa grande intelectual, porém às vésperas da posse de FHC como Presidente do Brasil ouvi um forte testemunho. Eu estava ainda no meu curso de Pós-Graduação e minha professora de Antropologia da Comunicação era sua amiga pessoal. Naquela ocasião, uma frase ainda está forte na lembrança. “Independente do que será o governo FHC, o Brasil irá conhecer a Ruth”.

 

A frase de minha professora voltou a cabeça com a notícia do seu falecimento. Refleti muito! Será que o Brasil conheceu mesmo a Dra. Ruth? Comecei então minha reflexão. Na verdade, o casal Fernando e Ruth me agradava, pois internacionalmente mostrou um outro lado do Brasil. Somos um País jovem, e mesmo assim temos intelectuais de primeira grandeza. Não vou abordar aqui questões políticas, mas o fato é que após um turbulento processo de transição de governo militar. Essa cara de “democracia” dada ao Brasil foi definida com a imagem simbólica do casal. Imagem tão forte que após oito anos, o País estava pronto para aceitar e entender a possibilidade legal de temos um Presidente vindo da classe trabalhadora e com pouca escolaridade! Volto a reafirmar, este texto não tem nenhuma conotação política e sim uma abordagem cotidiana e comportamental de pessoas públicas.

 

O fato é que nutri uma enorme simpatia por Dra. Ruth. De verdade, eu fui acompanhando sua trajetória como primeira dama... ops... cai no vício do discurso de senso comum. Ela não gostava desse termo e aí me dá um primeiro indicio de que realmente o País não a conheceu. Os noticiários de seu falecimento na sua grande maioria assim a identificou! Na verdade, seu trabalho social mudou definitivamente o papel de uma simples esposa de presidente.

 

Bem... para não estender o texto vamos para o meu ponto de observação. O casal Fernando e Ruth sempre foi identificado por morarem no bairro paulistano de Higienópolis. Morar em Higienópolis é assunto para um texto que em breve irei escrever! Mas, quem é morador sabe o que estou falando! Inúmeras vezes, eu vi a mulher Ruth circulando pelo bairro, fazendo compras, passeando, enfim uma mulher comum!

 

Certa vez, uma polêmica enorme se fez presente na mídia. Ruth esposa de Fernando pediu pizzas para comemorar o aniversário de seu esposo com os filhos. A Pizzaria Vicapota imaginou que fosse um trote. Tentaram fazer uma cortesia e ela não aceitou. O fato ganhou projeção e em uma entrevista Ruth achou um absurdo tanta polêmica. Disse ser natural, pois morava no bairro e não em Brasília. Que só estava lá em função do cargo do seu esposo.

 

Photo by W. Heinz

 

Há no máximo uns dois meses vi Dra. Ruth no shopping Pateo Higienópolis. Sozinha... caminhando anônima. Não resisti e lhe ofereci um sorriso, carinhosamente retribuído. Uma pessoa passou ao seu lado e ficou na dúvida se era ela quem ele pensava que fosse. Esse sorriso simples e até um pouco tímido ficará comigo! Alguns dados do noticiário me emocionaram. Ela nasceu no mesmo ano que minha mãe e no dia seguinte ao de meu pai. E ai me emocionou de verdade. E com muito carinho, eu enviei mentalmente um bom pensamento aos seus filhos! Para eles... simplesmente uma mãe que se foi!

 

Esse é meu luto!

 

Notícia:

Ex-primeira-dama Ruth Cardoso morre em casa, aos 77 anos

A ex-primeira-dama Ruth Cardoso, de 77 anos, morreu nesta terça-feira, às 20h40, no apartamento da família, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Um enfarte fulminante foi apontado pelos médicos como a causa da morte. (MSN Notícias)

 

 

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