Nos últimos dias, eu tenho pensado muito em várias situações do passado! Esse processo tem produzido também em meu sono, alguns sonhos como viagens pelo túnel do tempo. E percebo que as dimensões quando somos criança são bem maiores. Aos 8 anos, alguém com 18 é adulto, com 30 já está ficando velho e por aí vai. O mundo nos parece bem maior. Os valores de dinheiro são incontáveis. Um salário, o preço de uma casa ou de um automóvel são todos muito próximos. Todas as situações nos parecem muito prontas, absolutas e seguras! É como se o mundo adulto fosse uma fortaleza inatingível e para as crianças estar reservado um papel secundário e menor.

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Meu avô paterno faleceu quando eu era bem criança com 5 anos de idade. Os familiares sempre falaram da sua semelhança física comigo. O fato é que ele tinha exatamente a mesma altura que eu. Tenho 1,90 e bem acima da média do brasileiro. A imagem que fica eram meus avós chegando em casa e eu sair correndo e abraçar as pernas de meu avô. Um homem enorme e que eu olhava como não se acabasse mais. O mais estranho é que justamente com ele vivenciei a primeira sensação de morte. Para mim foi apavorante, traumático e passou um longo período para entender esse processo inevitável para qualquer ser humano. E esse “fim” ficou incoerente, justamente com o adulto que me parecia intocável e eterna. Lembro de um primo mais velho que na praia me levantava e colocava no seu ombro. Como é curioso hoje eu não percebê-lo assim tão mais velho, e muito menos aquele rapaz que me jogava como uma “peteca” para lá e para cá.
E nossos pais? Quando começa a inversão de os enxergarmos pequenos e frágeis é por que está bem em nossa frente à percepção do próprio processo de envelhecimento. E ao olharmos para frente enxergamos nossas crianças (no meu caso sobrinhos) que já trabalham, namoram, tem filhos e levam adiante a sensação de futuro. Penso agora se o futuro tem então uma imagem de inacabado e frágil...
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