Higienópolis, viver em São Paulo

Higienópolis é um tradicional bairro residencial na região central-oeste da cidade de São Paulo. Apresenta atualmente um perfil residencial, caracterizado por uma população de rendas média-alta e alta. É uma verdadeira aula de arquitetura, pois encontra-se projetos assinados por consagrados arquitetos. Já foi referência em importantes revistas inetrnacionais.

Confesso que antes de 1989 eu desconhecia sua personalidade. E até sentia uma certa estranheza. A sensação que sentia era de moradias sombrias cheirando a mofo. O estereotipo de um bairro para velhos ou uma colônia de judeus. Mas, o meu grito de liberdade ao morar sozinho foi exatamente na avenida Angélica, onde morei por quase 7 anos. Depois, fui entendendo o sutil prazer de morar em um local charmoso, elegante e até com um leve toque europeu.

Apesar de tudo é bastante provinciano. Parece que todo mundo se conhece e até seus moradores ilustres. Sem o esnobismo de “novos ricos” e ao mesmo tempo com uma miscigenação próxima ao centro... torna uma opção difícil de abandonar!

avenida Higienópolis

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A região onde se encontra Higienópolis foi habitada por jesuítas, a "sesmaria do Pacaembu". Em 1890, porém, Martinho Buchard e Victor Nothmann compraram parte da região que pertencia ao Barão de Ramalho. Os empreendedores, trazendo da França todos o projeto e os materiais para um novo bairro, lançaram um novo loteamento voltado às elites, de tal forma que Higienópolis se configurou como um dos primeiros bairros planejados e pensados especificamente para a elite paulistana. Higienópolis significa cidade limpa e higiênica. Quando a cidade de São Paulo foi atacada por peste bubônica, era o bairro que tinha menos problemas. O bairro guarda até hoje alguns poucos vestígios dessa época. Foi, no entanto, a partir da década de 1950 que o bairro começou a assumir o caráter pelo qual é conhecido hoje, recebendo uma grande quantidade de investimentos imobiliários que levaram à demolição de grande parte dos antigos casarões que o caracterizavam. Com tal fenômeno, o bairro tornou-se um ponto de destaque na cidade como um "mostruário" de exemplares diversos da arquitetura moderna, ocupado quase que predominantemente por edifícios de apartamentos de múltiplos andares. No período entre as décadas de 1970 e 1990, Higienópolis manteve-se uma exceção frente ao afastamento do centro de São Paulo das camadas de renda superiores, constituindo-se ainda em um espaço de segregação social, ainda que celebrado pela sua arquitetura e pelas instituições culturais que abriga. Em comparação ao bairro de Campos Elísios no distrito de Santa Cecília, por exemplo, que passou a abrigar uma grande quantidade de cortiços e população de menor renda, Higienópolis manteve o perfil social de sua população.

 Os limites do bairro começando pela parte mais perto do centro são os seguintes:

Mesmo após a abertura de outros bairros de perfil elitizado, Higienópolis manteve-se como uma área de grande valor e conseguiu se adiantar na evolução urbanística paulistana. (fonte: Wikipedia)

Sempre gostei muito de música...

 

Eu sempre gostei muito de música! Desde muito cedo, eu imaginei que poderia estudar piano. Mas com cinco anos de idade, a promissora “carreira de pianista” naufragou em função de um problema de visão que me acompanhou boa parte da infância.

 

Na adolescência... sempre tentei estar em dia com os “hits” de época e eventuais flash-backs. Ouvia de tudo e ficava interado de estilos musicais. Na escola onde fiz o curso primário, eu tinha uma disciplina chamada “Educação Musical”. Era muito interessante, pois o Maestro Pelliciari (nosso professor) mostrava toda a gama de instrumentos musicais e suas diferentes funções. Tivemos a “Semana Puccini” e já com pouca idade pude apreciar “Madame Butterfly” e conhecer o canto lírico. E o melhor de tudo era preparar essas crianças não como músicos, mas sim como conhecedores da arte musical.

 

A música também fez com que a curiosidade em entender diferente línguas e culturas fossem aguçadas. Quis saber inglês acima da média e o início que me vem na lembrança foi com uma canção de Elton John, a famosa “Skyline Pigeon”. Percebia uma bonita melodia, mas o que queriam dizer as palavras pronunciadas pelo cantor. E assim foi numa seqüência com a língua italiana, espanhola e por último uma breve viajada pela língua francesa.

 

Há pouco mais de dois anos comecei a freqüentar “karaokês”. Confesso que por absoluto desconhecimento e preconceito, eu achava esse universo de cantores algo menor, um tanto quanto brega ou de gente gritando desafinada. Talvez essa impressão remonte os meados da década de 80, onde uma febre por esse tipo de lazer mostrava um pouco dessa impressão errônea que eu tinha. E qual não foi minha surpresa ao ver tanta gente talentosa em diferentes vertentes musicais. Do jazz a MPB, do pop ao rock, enfim um pouco de tudo (opa! Este é o nome inverso deste BLOG). Descobri também que muitos nomes de famosos programas de calouros e reallity-shows musicais já eram bem conhecidos dos animados “karaokês”.

 

Na verdade é um mundo em especial, parece que todos se conhecem! Parece que todos são amigos, mas obviamente rivalidades e afinidades existem como em qualquer lugar. Timidamente comecei de uma maneira curiosa a subir num palco e arriscar colocar a minha voz. O entusiasmo fez com que eu acreditasse que de fato eu pudesse cantar. Hoje estou leve e com a sensação apenas de conseguir um pouco de afinação e de colocar minha voz em inúmeras músicas. O ecletismo que sempre me fascinou faz agora presente nessas novas noites de diversão. E com isso essas maratonas são uma maneira de estar em contato novamente com a música.

 

E agora, nos últimos dias, eu entrei para um coral com aulas semanais de canto. E para cantar... eu imaginei que entraria por técnicas muito mais simples e limitadas... e como eu estava enganado! Alongamentos, concentração, respiração, vocalização. Será um caminho sem volta? Na primeira aula uma canção exprimiu um sentimento: cantar = ficar feliz e música = uma das coisas boas que a vida traz.

Dercy, artista ou personagem?

 

Sempre que penso em Dercy Gonçalves... a lembrança é desde criança ouvir minha avó falando que tinha a “idade da Dercy”. No palco vi Dercy apenas uma vez. Quando eu tinha uns 18 ou 19 anos meus pais me chamaram para ir a uma casa de espetáculos do falecido Oswaldo Sargentelli na avenida Cidade Jardim, em São Paulo. Foi como um ritual de passagem para vida adulta. Em tempos ainda de ditadura militar me foi permitido ouvir os palavrões escrachados daquela senhora que mostrava uma vitalidade incrível!

 

Há um ano, eu estava em um almoço de trabalho na Famiglia Mancini (tradicional e famosa cantina na Bela Vista – SP) e a vi entrando. Funcionários e clientes pararam para respirar e ficar em reverência para a já centenária artista. Na nossa mesa estavam uma editora e uma repórter de um dos grande jornais de São Paulo. Na saída, uma pauta surgiu e as duas no misto de tietagem e dever profissional a abordaram.

 

Uma pergunta sempre ficou quando eu via Dercy. Artista ou personagem? Eu não sei e agradeço se alguém me ajudar nessa resposta. Sei que na verdade ela é e sempre será um pouco a cara do brasileiro. Desbocada e divertida, porém com um toque infantil e um rasgo de tristeza.

 

Não tenho mais nada para falar. Apenas reverenciar e imaginar que engraçado deve estar o céu a partir de hoje!

 

 

Não deixe de assitir os vídeos abaixo:

(clique nos títulos)

 

Dercy na Novela “Que Rei Sou Eu?”

 

FESTIVAL DE PALAVRÕES COM DERCY GONÇALVES

 

DERCY EM “BARONESA TRANSVIADA” – FILME 1957

 

Veja ainda o último filme de Dercy:

muito bom – clique no título

Célia e Rosita

Ficção | De Gisella de Mello | 2000 | 13 min

Com Cleyde Yáconis, Dirce Migliaccio, Dercy Gonçalves, Marcelo Serrado

Duas velhas amigas abandonam o rótulo de terceira idade e partem para a maior aventura de suas vidas.

 

 

 

Leia também:

Conheça a trajetória da atriz Dercy Gonçalves (1907-2008)

Teatro Grego, qual a leitura para nossa realidade?

 

O teatro na Grécia antiga teve suas origens ligadas a Dionísio, divindade da vegetação, da fertilidade e da vinha, cujos rituais tinham um caráter orgiástico. É estranho, mas hoje inclusive ouvi um comentário sobre a cultura grega. Aos olhos brasileiros de século XXI, esses costumes mostram-se para lá de liberais. Mas porque não conhecemos algo primeiro para depois julgarmos? Esse padrão comportamental nada tem de malícia! A sensualidade da linguagem corporal tem outra conotação!

Fato é que uma montagem teatral assim requer uma grande dose de ousadia que vale conferir. A oportunidade está fácil para os paulistanos! Uma montagem que traz desde pirofagia até a atuação de 60 atores simultâneos em cena! A grandiosidade da montagem mostra a coragem desse grupo que oferece a oportunidade de conhecer: Prometeu Acorrentado!

Prometeu Acorrentado é uma tragédia grega que fazia parte da trilogia composta pelas tragédias Prometeu acorrentado, Prometeu libertado e Prometeu portador do fogo, e foi a única que destas permaneceu.

Apesar de ser tradicionalmente atribuída a Ésquilo, a autoria dessa tragédia é controvertida: por um lado defende-se que seja dele (neste caso, seria datada entre 452 e 459 a.C. aproximadamente), por outro, que seja de outro tragediógrafo anônimo (tendo sido composta numa data posterior, entre 450 e 425 a.C.)

Esta montagem está em um espaço alternativo. O projeto visa fazer um paralelo da estética oriental com a ocidental, encontrando suas divergências e elos comuns. Reinventa arquétipos universais numa concepção contemporânea para revelar à platéia a beleza e a grandiosidade da Mitologia Grega.

 

Vale conferir! Estarei lá no dia 18!

 

PROMETEU ACORRENTADO – Ésquilo

Direção: Moises Miastkwosky

Oficina Cultural Amácio Mazzaropi
Av Rangel Pestana, 2401 – Brás (Antigo Colégio José Anchieta)
Fone: 2292-7711
Próximo ao metro Brás ou Bresser / Estacionamento na rua do Hipódromo

18/07 a 01/08 – Sextas-feiras – 20:00 horas


ENTRADA FRANCA


Cavaleiro das Trevas, herói?

Cavaleiro das Trevas, herói?

 

Ontem estive na pré-estréia de “Batman – O Cavaleiro da Trevas”. Que surpresa maravilhosa! Confesso que para mim a lembrança mais forte é de Adam West na série televisiva da década de 60 e bastante reprisada por pelo menos mais 20 anos. Era um visual totalmente “pop-art” e recheados de “pow” e “waps” remetendo a um linguagem deliciosamente tosca dos quadrinhos. O colorido das roupas remetia aos sucessos das fantasias de carnaval infantis. Isso sem falar nas brincadeiras de criança. Quanta imaginação nos levava direto a “Gotham City” – a mítica cidade cenário desse famoso justiceiro!

 

Mais recente tivemos um pouco de canastrice com George Clooney e até Val Kilmer. Já tinha lido algumas boas críticas sobre este novo filme. Mas, ainda estou pasmo! A emoção da cena final me pegou desprevinido. Que herói é esse? Será que todos os heróis são o que as pessoas precisam que eles sejam?

 

foto: divulgação

A interpretação foi um show! Que trabalho! Que elenco! A dualidade herói x vilão e Batman e Jokerman (Coringa) é fascinante. Dois anos depois, com a presença de Batman (Christian Bale) para defender os moradores de Gotham City, os criminosos têm muito o que temer. O Homem-Morcego, com a ajuda do tenente Jim Gordon (Gary Oldman) e do promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart), lutará contra o crime organizado, comandado por seu arquiinimigo, o Coringa (Heath Ledger).

Heath Ledger merece todos os prêmios, mesmo que póstumos. Quem o assistiu como um dos cowboys de “Brokeback Mountain”, dificilmente o reconhecerá como o melhor Coringa de todos os tempos. Ele consegue superar e muito o veterano Jack Nicholson.

A forte carga de emoção me fez pensar nesse ator, pois com o seu estranho falecimento fica a pergunta se um personagem pode influenciar tanto assim na vida de um ator.

A produção é primorosa, os efeitos de alta tecnologia são transformados em cenários simples que nos passa uma sensação quase natural de algo que é 100% ficção imaginativa.

Christian Bale fez um Bruce Wayne irretocável! Tenho uma grande identidade com toda a lenda em cima do Mr. Wayne. Mas sem sombra de dúvidas, o questionamento do que é um herói e o que as pessoas buscam nessa idolatria e a possibilidade de se tornar vilão mexeu com muitos dos meus conceitos pessoais. Somos todos heróis e vilões! Sempre!

Tenho dois grandes amigos que são cinéfilos de “carteirinha”. Eles sempre me dão dicas de filmes. E ainda hoje, vou adorar essa inversão de papéis (como no filme) e vou ser agora o indicador e aconselhar um inesquecível!

Veja mais:

 

- Sinopse

- Elenco e Créditos

- Fotos

- Resenhas

- Trailers e Clips

- Críticas

e também:

http://wwws.br.warnerbros.com/thedarkknight/

Estive em Cuba, sou brasileiro!

Este é o segundo texto. Há quase 15 anos, eu conheci Cuba. Nem se imaginava um Fidel adoecido e afastado do poder...

Voltei tão entusiasmado, que motivei muitas pessoas a fazerem o mesmo roteiro. Entre esses novos fãs do país-ilha estavam meu pai e minha mãe...

 

  

21.12.1993

 

Estive em Cuba, sou brasileiro!

 

Um dia após ter chegado de Havana ainda estou contaminado.

 

Minhas narinas ainda sentem o forte e agradável cheiro de tabaco, que infiltrou em meu corpo em todos os recantos que estive. A variedade de tipos do Run Cubano e seus drinks maravilhosos. A hortelã que dava um toque especial ao inesquecível “mojito”. E falando em beber, a lembrança de “La Bodeguita del Medio” com a aura de Ernest Hemingway que se faz presente também em boa parte de “La Habana Vieja”.

 

 

 

O povo cubano foi para mim uma lição de vida! Quanto carinho! Ao constatar a presença de um brasileiro... nos abordam e nos lotam de amor, companheirismo e atenção.

 

 

 

Há 35 anos, uma revolução mudou o rumo desse país. Certo ou errado, não sei bem. Senti o forte controle de um governo socialista. Mas que socialismo é este de Cuba? Provavelmente Moscou deve ter mostrado uma outra face de dureza de um regime político rígido. O cubano quando usa a palavra “compañero” acrescenta um ingrediente absolutamente modificador: o amor.

 

Cuba com certeza não é mais a mesma. Porém, algumas situações são imutáveis. São toques caribenhos enraizados com uma cultura negra e hispânica. Salsa, rumba, mambo, cha cha cha e conga. O bolero traz a paixão. Aliás, paixão e sensualidade são a cara de Cuba. As mulheres trazem em seus olhos e sensualibidade bruta, muitas vezes quase tribal, porém inocente e verdadeira. Os homens mostram uma amizade que provoca fortes laços com surpreendente rapidez.

 

Mar, sol, música, dança e bebidas. O povo sofre e da pior maneira: a fome. Cultura, saúde, educação não são problemas. Essa Cuba me deixa preocupado.

 

Emoção do meu País. Escutar “Aquarela do Brasil” em pleno Tropicana – um dos mais antigos e famosos cabarés do mundo... me trouxeram um pouco de volta e com saudadees me enchi de emoção. Lembrei de meus pais... ouvindo “Besame Mucho” (sem sotaque de Português), os imaginei emocionados com “recuerdos”.

 

Conheci a face de uma grande musa: Yolanda. Brasil e Cuba são ligados. Seja por nossas novelas e artistas que sensibilizam o povo de maneira sem igual, por origens étnicas, ou na sentimental forma de chamar nosso País de “Gigante Hermano”.

 

Cheguei ainda um pouco transtornado de emoção. Lembro dos últimos instantes no aeroporto, subindo a escadas do avião com uma tristeza misturada a uma promessa de volta.

 

Ao chegar, eu encontrei os velhos problemas, mas volto renovado e não quero dispersar esta energia. Quero partilhar e levar como combustível de alegria para aqueles de quem gosto muito. Ao terminar deixo versos de um poeta cubando que tão bem nos entende, Pablo Milanés.

 

...yo no te pido que me bajes

uma estrella azul,

solo te pido que mi espacio

llames com tu luz...

 

...quiero poner em la tierra mis pies

quiero decir que renazco esta vez

que traigo nuevos brios, nueva fé.

 

 

há 18 anos...

Estava arrumando alguns guardados e encontrei dois textos escritos há um bom tempo. O primeiro que transcrevo redigido há 18 anos. Achei interessante perceber uma visão sonhadora e idealista que eu tinha! Por outro lado, com todo otimismo eu também era esperançoso. Vale o registro e a percepção de que vivíamos um novo momento. Ai vai...

 

 

 

Brasil, 15 de março 1990, hoje... uma data histórica. Após quase 30 anos toma posse um Presidente eleito pelo povo.

Coloquei junto a data Brasil, porque não sei exatamente onde estou. Volto de Salvador (cidade com a verdadeira cara, cheiro e sabor de Brasil) para São Paulo.

O avião fará uma escala em Brasília e devido ao tráfego aéreo intenso estamos há mais de 20 minutos esperando para pousar.

Uma sensação de ser muito pequeno tomou conta de mim. Penso... o nosso destino, destino de milhões de brasileiros deve estar mudando.

São aproximadamente 12h00, acredito que já temos um novo Presidente.

Estou emocionado... não sabia que este vôo teria esta escala em Brasília, justo hoje!

Penso na última posse, a de Trancredo Neves... quanta esperança... o povo feliz acreditando num País melhor. Quanta frustração!

O avião continua a dar voltas... e minha reflexão também.

O povo está novamente com esperança, talvez não tão feliz, mas querendo acreditar, torcendo novamente. Aliás como alguém já disse: “brasileiro, profissão esperança”. Eu também quero acreditar.

Este não é “o presidente” que eu imaginei, mas sem dúvidas é o “nosso Presidente”.

Estamos pousando...

Vejo casas grandes com piscinas... é sem dúvidas estamos em Brasília.

Chegamos. Boa sorte novo Presidente, boa sorte “novos presidentes”.

Boa sorte... Brasil!

O tamanho do passado

Nos últimos dias, eu tenho pensado muito em várias situações do passado! Esse processo tem produzido também em meu sono, alguns sonhos como viagens pelo túnel do tempo. E percebo que as dimensões quando somos criança são bem maiores. Aos 8 anos, alguém com 18 é adulto, com 30 já está ficando velho e por aí vai. O mundo nos parece bem maior. Os valores de dinheiro são incontáveis. Um salário, o preço de uma casa ou de um automóvel são todos muito próximos. Todas as situações nos parecem muito prontas, absolutas e seguras! É como se o mundo adulto fosse uma fortaleza inatingível e para as crianças estar reservado um papel secundário e menor.

 

Free image - http://exo.7.free.fr/

 

Meu avô paterno faleceu quando eu era bem criança com 5 anos de idade. Os familiares sempre falaram da sua semelhança física comigo. O fato é que ele tinha exatamente a mesma altura que eu. Tenho 1,90 e bem acima da média do brasileiro. A imagem que fica eram meus avós chegando em casa e eu sair correndo e abraçar as pernas de meu avô. Um homem enorme e que eu olhava como não se acabasse mais. O mais estranho é que justamente com ele vivenciei a primeira sensação de morte. Para mim foi apavorante, traumático e passou um longo período para entender esse processo inevitável para qualquer ser humano. E esse “fim” ficou incoerente, justamente com o adulto que me parecia intocável e eterna. Lembro de um primo mais velho que na praia me levantava e colocava no seu ombro. Como é curioso hoje eu não percebê-lo assim tão mais velho, e muito menos aquele rapaz que me jogava como uma “peteca” para lá e para cá.

 

E nossos pais? Quando começa a inversão de os enxergarmos pequenos e frágeis é por que está bem em nossa frente à percepção do próprio processo de envelhecimento. E ao olharmos para frente enxergamos nossas crianças (no meu caso sobrinhos) que já trabalham, namoram, tem filhos e levam adiante a sensação de futuro. Penso agora se o futuro tem então uma imagem de inacabado e frágil...

Ruth Cardoso. Estou de luto!

É muito estanho, mas a notícia do falecimento da Dra. Ruth me deixou muito triste. Falo doutora, pois esse era seu título acadêmico, ou mais até do que um doutorado. Essa era Ruth Cardoso! Uma mulher impar e que não vou descrevê-la biograficamente, pois os meios de comunicação estão fazendo isso de maneira exaustiva.

 

Sempre ouvi falar dessa grande intelectual, porém às vésperas da posse de FHC como Presidente do Brasil ouvi um forte testemunho. Eu estava ainda no meu curso de Pós-Graduação e minha professora de Antropologia da Comunicação era sua amiga pessoal. Naquela ocasião, uma frase ainda está forte na lembrança. “Independente do que será o governo FHC, o Brasil irá conhecer a Ruth”.

 

A frase de minha professora voltou a cabeça com a notícia do seu falecimento. Refleti muito! Será que o Brasil conheceu mesmo a Dra. Ruth? Comecei então minha reflexão. Na verdade, o casal Fernando e Ruth me agradava, pois internacionalmente mostrou um outro lado do Brasil. Somos um País jovem, e mesmo assim temos intelectuais de primeira grandeza. Não vou abordar aqui questões políticas, mas o fato é que após um turbulento processo de transição de governo militar. Essa cara de “democracia” dada ao Brasil foi definida com a imagem simbólica do casal. Imagem tão forte que após oito anos, o País estava pronto para aceitar e entender a possibilidade legal de temos um Presidente vindo da classe trabalhadora e com pouca escolaridade! Volto a reafirmar, este texto não tem nenhuma conotação política e sim uma abordagem cotidiana e comportamental de pessoas públicas.

 

O fato é que nutri uma enorme simpatia por Dra. Ruth. De verdade, eu fui acompanhando sua trajetória como primeira dama... ops... cai no vício do discurso de senso comum. Ela não gostava desse termo e aí me dá um primeiro indicio de que realmente o País não a conheceu. Os noticiários de seu falecimento na sua grande maioria assim a identificou! Na verdade, seu trabalho social mudou definitivamente o papel de uma simples esposa de presidente.

 

Bem... para não estender o texto vamos para o meu ponto de observação. O casal Fernando e Ruth sempre foi identificado por morarem no bairro paulistano de Higienópolis. Morar em Higienópolis é assunto para um texto que em breve irei escrever! Mas, quem é morador sabe o que estou falando! Inúmeras vezes, eu vi a mulher Ruth circulando pelo bairro, fazendo compras, passeando, enfim uma mulher comum!

 

Certa vez, uma polêmica enorme se fez presente na mídia. Ruth esposa de Fernando pediu pizzas para comemorar o aniversário de seu esposo com os filhos. A Pizzaria Vicapota imaginou que fosse um trote. Tentaram fazer uma cortesia e ela não aceitou. O fato ganhou projeção e em uma entrevista Ruth achou um absurdo tanta polêmica. Disse ser natural, pois morava no bairro e não em Brasília. Que só estava lá em função do cargo do seu esposo.

 

Photo by W. Heinz

 

Há no máximo uns dois meses vi Dra. Ruth no shopping Pateo Higienópolis. Sozinha... caminhando anônima. Não resisti e lhe ofereci um sorriso, carinhosamente retribuído. Uma pessoa passou ao seu lado e ficou na dúvida se era ela quem ele pensava que fosse. Esse sorriso simples e até um pouco tímido ficará comigo! Alguns dados do noticiário me emocionaram. Ela nasceu no mesmo ano que minha mãe e no dia seguinte ao de meu pai. E ai me emocionou de verdade. E com muito carinho, eu enviei mentalmente um bom pensamento aos seus filhos! Para eles... simplesmente uma mãe que se foi!

 

Esse é meu luto!

 

Notícia:

Ex-primeira-dama Ruth Cardoso morre em casa, aos 77 anos

A ex-primeira-dama Ruth Cardoso, de 77 anos, morreu nesta terça-feira, às 20h40, no apartamento da família, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Um enfarte fulminante foi apontado pelos médicos como a causa da morte. (MSN Notícias)

 

 

Leia também:

Você lembra de quais novelas?

Telenovela no Brasil, espelho de uma história recente

Pela primeira vez neste blog, escrevo um texto vindo da sugestão de uma leitora. As novelas na TV brasileira são um fenômeno que já teve inúmeros estudos nos mais variados pontos de análise. Desde 1963, com a primeira novela na TV Excelsior (2-5499 Ocupado, de Dulce Santucci), boa parte das pessoas pontuou suas vidas tendo novelas como referências cronológicas de suas próprias histórias de vida.

Na minha lembrança mais remota lembro de ouvir adultos falarem da novela Redenção da pioneira no estilo, a TV Excelsior. Porém, um bom tempo me traz na lembrança as novelas da TV Tupi. Um mundo refinado de alta sociedade mostrava o que seria a década de 70 com novela Beto Rockfeller. Hoje, sei que foi a primeira novela a retratar temas atuais em suas narrativas. Lembro vagamente de Irmãos Coragem (primeira versão) da TV Globo. A cor na transmissão de novelas foi oficialmente em O Bem Amado, mas no mesmo momento a TV Tupi reagiu e colocou no ar todas suas produções com um colorido tosco de improviso.

Estúpido Cupido e Dancin’ Days ilustraram os bailinhos de minha adolescência. Na década de 80 vi Guerra dos Sexos ter várias cenas gravadas no edifício em que morava com minha família. E com isso vi de perto essa produção onde Maitê Proença, Paulo Autran, Tarcísio e Glória, Herson Capri passavam pela portaria e o mais marcante uma cena de Maria Zilda pendurada em uma varanda do 6º andar em uma cena de fuga. A novela Os Adolescentes na TV Bandeirantes esbarrou em mim.

Na década de 90, Pantanal foi um marco de um sucesso isolado da extinta TV Manchete (que infelizmente não capitalizou). Em um momento meu de grande crescimento profissional, usava aquele período da noite para uma pequena pausa ou um quase “flash” de férias diárias.

Vale Tudo foi também marcante ao mostrar um lado podre, mas maquiado de nossa sociedade. Estive em Cuba em 1991 e fiquei comovido e ao mesmo tempo perplexo ao perceber cubanos tão ligados em uma realidade tão distante da que viviam. Alguns artistas brasileiros são cultuados como semi-deuses!

Nos últimos anos, deixei de lado o hábito de “seguir uma novela”, em função de minhas atividades acadêmicas acontecerem no período noturno. Neste ano, tenho apenas uma noite tomada profissionalmente. Comecei assim, a assistir Duas Caras, de Aguinaldo Silva e com direção de Wolff Maia. A surpresa é que nesse período de ressaca que para mim, novela ficou restrito a uma boa opção de veiculação publicitária, pouca coisa mudou. Obviamente, que em tempos de TV digital, o produto final apresentado é de uma qualidade de produção fantástica. Com certeza a sua aceitação comercial provoca investimentos invejáveis. Mas e as tramas? Ou os contratos entre os personagens dessa narrativa? Nada muito novo, mas com pitadas de assuntos atuais como os cartões corporativos, pirataria de DVDs, violência urbana... ou seja um recorte bem feito deste começo de século 21 no Rio de Janeiro. Alguns temas como preconceito racial foram abordados de forma contundente e por momentos cômicos. Assim, os filhos do casal Barreto (Stênio Garcia) e Gioconda (Marília Pêra) viram seus filhos brancos e de alta socidade carioca casarem com negros. Júlia (Débora Falabella) se casa (já grávida) com Evilásio (Lázaro Ramos) líder comunitário da fictícia Portelinha. Na mesma família, a empregada doméstica Sabrina (Cris Vianna) enlouquece o seduzido advogado mauricinho Barretinho (Dudu Azevedo). Antes do casamento e uma viagem para Nigéria, Sabrina protagonizou cena antológica onde um preconceito reativo contra brancos, argumenta com seu pai não querer essa mistura de raças e assim justifica um distanciamento de Barretinho que já era alvo de sua paixão. Seu pai então, responde com um discurso contundente, onde pede que a filha vá atrás do rapaz. Mas como se trata de uma novela e o gancho para os próximos capítulos é uma obrigação, Barretinho é atropelado.

O fato é que dificilmente um brasileiro fica sem um pouco de influência de uma boa novela. Por falar nisso, alguém assistiu o capítulo de ontem? Risos.....

 

Teledramaturgia no Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Teledramaturgia_no_Brasil)

A teledramaturgia surgiu no Brasil na década de 1950 e acabou por tornar-se o produto televisivo mais popular do país. A telenovela caracteriza-se por explorar enredos de fácil aceitação pelo público, como histórias de amor e conflitos familiares e sociais. É comum a associação da novela como um produto descartável, como uma oposição a literatura, ao cinema ou ao teatro, o que pode denotar um certo preconceito, visto que é um produto voltado a pessoas de todos os níveis sociais. Funciona como uma espécie de obra aberta, cujo desenvolvimento e desfecho podem ser alterados a qualquer momento, de acordo, principalmente, com os índices de audiência (Ibope), ou seja, segundo o interesse imediato do público na história.

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